IG tem exposição de areias do mundo

Areias

Já imaginou dar um passo e estar numa praia paradisíaca de Barbados e no passo seguinte estar próximo de uma das pirâmides do Egito? Apesar de estarem geograficamente em pontos extremos do mundo, com características geológicas específicas, os dois locais têm algo em comum: areias. A exposição “Areias do Mundo”, no saguão central do Instituto de Geociências da Unicamp, traz amostras de areias dos dois países e de mais outros 14 pontos diferentes, como Islândia, Japão e Antártida. Do Brasil, há amostras dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão, e de Ilha Bela, em São Paulo. Além das areias, há uma maquete da costa do Estado de São Paulo, com amostras de areias dos litorais Sul e Norte do estado, além do relevo da Serra do Mar.

A exposição é fruto de resultados de projeto de Christine Bourotte, docente do Instituto de Geociências da USP, financiado pela Fapesp. “A Christine se interessa e pesquisa como transmitir ciência, que não é algo trivial”, conta a docente do IG Ana Elisa Silva de Abreu, que coordenou a montagem da exposição na Unicamp junto com a docente da USP. “Essa exposição nos remete muito a férias, por isso acho ela tão agradável. Também reconheço nela uma ferramenta diferente para atrair o interesse das pessoas na Geologia. Aqui tem-se a oportunidade de falar como as rochas se formam e despertar o olhar das pessoas para a natureza ao nosso redor, que não é toda igual”, aponta Ana Elisa. A docente destaca que quem visita a exposição sai com uma outra percepção sobre os locais  que visitou ou visitará ao longo da vida, especialmente aqueles onde se acumulam as areias. “A ideia é trazer a ciência para o dia a dia das pessoas, para perceberem que ela não está só no livro e na aula teórica. Está na vida”, diz. 

Na exposição é possível identificar que as areias não são iguais. Pelo contrário. A amostra de Okinawa, no Japão, por exemplo, é formada por carapaças de organismos que se acumulam nas praias quando morrem. A da Islândia revela pedaços de rochas vulcânicas. Já a do Cairo, no Egito, é formada por fragmentos de rochas calcárias, mesmo tipo das utilizadas na construção das pirâmides. 

Carapaças em forma de estrela encontradas em praias do município de Okinawa, no Japão
Carapaças em forma de estrela encontradas em praias do município de Okinawa, no Japão

A maquete exposta revela mecanismos de transporte de sedimentos de rochas que são fragmentadas, por exemplo, pela ação da chuva e pelo vento e vão se quebrando. Esses fragmentos, ao serem transportados, vão se acumulando por milhares de anos, formando as praias e desertos. Na formação do litoral do estado de São Paulo é possível vislumbrar essa ação e desconstruir a ideia de que a areia da praia vem do mar. A maquete mostra a sinuosidade do litoral norte em contraponto ao relevo mais retilíneo do litoral sul e a interferência da Serra do Mar nesse processo. Segundo a docente Ana Elisa, quem traz a areia para a praia é o rio. O mar a retrabalha. “Essa areia vem da terra, de escorregamentos, erosões no continente e o rio traz esses sedimentos da área emersa, que está fora do mar”, aponta. 

Assim como as areias da coleção didática do acervo de Paleontologia do IG, as amostras da exposição têm sido utilizadas em atividades didáticas nas disciplinas “Sistema Terra”, para alunos do IG, e “Geologia Geral”, para alunos da Engenharia Civil. Mas a mostra também é voltada para o público em geral, inclusive para crianças. Ana Elisa lembra que além de visual, a exposição é sensorial e com interação através de QR Codes que levam o visitante ao ponto exato no mapa onde a areia foi coletada. Dessa forma, é possível “visitar” o local de origem de cada amostra. 

A exposição foi concebida inicialmente em 2017 e já ficou hospedada no Parque de Ciência e Tecnologia (CienTec), na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) e no Instituto de Geociências (IGc-USP). Na Unicamp, ficará aberta ao público até 13 de dezembro de 2019. No primeiro semestre de 2020 a exposição será montada no Parque no Ibirapuera. A exposição pode ser autoguiada, pois cada amostra de areia tem uma breve explicação. Escolas e grupos podem agendar visitas para terem mediadores que expliquem cada ponto da exposição e desenvolvam atividades didáticas adicionais. Nesse caso, há necessidade de fazer inscrição no Museu Exploratório de Ciências da Unicamp. O Instituto de Geociências da Unicamp fica à rua Carlos Gomes, 250, no campus de Campinas.

Leia a matéria no Portal da Unicamp.

Por Eliane Fonseca

Fotos: Eliane Fonseca e Antônio Scarpinetti

Publicação: 22/10/2019