Clipping
Um grupo de pesquisadores brasileiros identificou, pela primeira vez em território nacional, um campo dos chamados “tectitos”. Eles são vidros naturais formados pelo impacto de alta energia de corpos extraterrestres contra a superfície da Terra. Essa colisão de um material vindo do espaço pode ter ocorrido, de acordo com cálculos dos pesquisadores, há cerca de 6 milhões de anos. A descoberta, inédita também na América do Sul, foi apresentada em um artigo na revista Geology – e divulgada recentemente pela Agência Fapesp. O trabalho foi coordenado pelo geólogo e professor titular sênior do Instituto de Geociências (IG), da Unicamp, Alvaro Penteado Crósta.
Pesquisadores identificaram, pela primeira vez no Brasil, um campo de tectitos, vidros naturais formados pelo impacto de alta energia de corpos extraterrestres contra a superfície da Terra. As estruturas, batizadas de geraisitos, em homenagem ao Estado de Minas Gerais onde foram inicialmente encontradas, constituem um novo campo de espalhamento (strewn field), ampliando o ainda incompleto registro de impactos na América do Sul.
A descoberta foi descrita em artigo publicado na revista Geology por uma equipe liderada pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, professor titular sênior do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp), em colaboração com pesquisadores do Brasil, Europa, Oriente Médio e Austrália.
Até agora, apenas cinco grandes campos de tectitos eram reconhecidos no planeta: Australásia, Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte e Belize. O campo brasileiro passa a integrar esse grupo restrito.
Rhuan Sartore, doutorando em organização e gestão do território no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGG/UFRJ) e membro do Grupo Retis de Pesquisa (UFRJ), salienta à reportagem que os Estados Unidos têm demonstrado interesse, nas negociações diplomáticas mais recentes, em acessar os minerais críticos brasileiros.
A descoberta foi feita por pesquisadores da área de geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), revisada e publicada na revista Geology.
"Foi a nossa primeira análise. Justamente de tentar separar isso de outro tipo de vidro. Os tectitos têm características químicas e físico-químicas também bem próprias. Fazendo uma análise desse material, a gente já consegue separar de outro tipo de vidro natural, muito comum, o vidro vulcânico. Se parecem, mas quimicamente eles são diferentes", revela Álvaro Penteado Crósta, geólogo da Unicamp, líder da pesquisa, em entrevista à CNN Brasil.
“Quando começou a se separar [Brasil e África], começaram a ocorrer várias falhas geológicas bem profundas. E essas falhas favoreceram que o magma que ocorre em profundidade, que extravasasse e cortasse todas essas camadas de rochas que vemos aqui na região. Consequentemente, esse ponto do rio é onde houve esse extravasamento de magma”, explica o professor doutor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.
“Quando começou a se separar [Brasil e África], começou a ocorrer várias falhas geológicas bem profundas. E essas falhas favoreceram que o magma que ocorre em profundidade, que extravasasse e cortasse todas essas camadas de rochas que vemos aqui na região. Consequentemente, esse ponto do rio é onde houve esse extravasamento de magma”, explica o professor doutor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.
Elaborado como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) por Helena Pivoto Paiva, sob orientação do docente Wagner da Silva Amaral, no curso de graduação em Geologia do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, o Atlas de 110 páginas tem como objetivo reunir, em um formato ilustrado e didático, conhecimentos geológicos, especialmente das rochas do município.
Durante a estadia em Campinas, os participantes também realizaram uma visita técnica ao Instituto de Geociências da Unicamp, onde assistiram a uma palestra e participaram de atividades práticas.
Jean Carlos Hochsprung Miguel, sociólogo com ampla experiência em estudos sociais da ciência e da tecnologia, tem se dedicado a investigar como as dinâmicas de transição energética se configuram no Brasil, em especial no setor elétrico. Em sua pesquisa, ele analisa as redes de governança que envolvem a energia solar, buscando entender como a participação de diferentes atores – desde empresas até comunidades locais – influencia os rumos da transição.
Segundo Miguel, a adaptação climática não pode ser reduzida a uma questão técnica ou de inovação tecnológica. “A transição energética é um processo sociotécnico, em que tecnologia e sociedade evoluem de forma conjunta. Por isso, compreender como redes de governança são formadas é essencial para identificar quem tem voz, quem participa e quem é excluído na definição dos caminhos do setor elétrico”, explica. A energia solar, cada vez mais presente na matriz brasileira, surge como um campo privilegiado para analisar disputas e oportunidades. Democratizar seu acesso, segundo ele, é um passo decisivo para tornar a adaptação mais justa e inclusiva.
Se de um lado as redes de energia solar apontam para novas possibilidades, de outro, a transição energética expõe conflitos sociais e territoriais. É nesse ponto que entra a pesquisa de Alexsander Fonseca de Araujo, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Seu trabalho se volta para o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) e para a forma como os movimentos sociais têm atuado na construção de alternativas de transição. “A justiça climática e energética precisa ser o eixo central das políticas de adaptação. Sem ela, corre-se o risco de ampliar desigualdades e perpetuar a exclusão das populações mais vulneráveis”, destaca.
Um trabalho de conclusão de curso desenvolvido no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp está ajudando a decifrar a complexa história geológica de Campinas e também a aproximar a ciência do cotidiano da população. O Atlas Petrográfico do Município de Campinas, publicado em setembro, foi elaborado pela geóloga recém-formada Helena Paiva, sob orientação do professor Wagner Amaral. O material reúne imagens microscópicas e descrições detalhadas das principais rochas do município e já nasce com vocação para se tornar ferramenta de ensino, divulgação científica e até de apoio ao planejamento urbano.




