De captura e armazenamento de carbono ao monitoramento de reservatórios, workshop reúne 134 participantes e aponta oportunidades de investimento e cooperação entre universidade e setor produtivo
Representantes de empresas de óleo e gás, fornecedores de tecnologia e startups de deep tech, professores, pesquisadores, cientistas e estudantes de graduação e pós-graduação reuniram-se em workshop no Instituto de Geociências (IG) em 11 de agosto. O encontro buscou discutir as demandas do setor e fomentar parcerias institucionais com a Unicamp através da identificação de oportunidades para novos projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Durante o evento foram apresentados desafios enfrentados pelo setor de petróleo e gás no país, assim como deep techs voltadas para esta área.
Jonas Castro, gerente da área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Petronas, falou sobre o futuro das geociências na área de produção e exploração de petróleo e focou na questão da captura e estocagem de carbono, área altamente tecnológica e que ainda necessita de investimento em P&D. A empresa, que mantém ao menos 10 projetos com Unidades da Unicamp e com o Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro), está buscando “implementar aqui no Brasil projetos para o mercado que vão ajudar na questão climática e para alongar a produção de petróleo e gás, que ainda é necessária”, afirmou. A parceria com a Unicamp começou em 2020 e desde então já foram investidos cerca de 60 milhões de reais em projetos.
Com o IG, a empresa tem um projeto de P&D desenvolvido junto do Laboratório de Geoquímica Experimental (LAGEX), coordenado pelo docente do IG Alfredo Borges de Campos, que objetiva investigar qual é o impacto da injeção alternada de CO2 e água salina nos carbonatos do Pré-sal para fins de recuperação avançada de óleo e estocagem de carbono. “Essa pesquisa impacta diretamente as nossas nivelagens de reservatório e otimiza a produção em um dos campos onde temos participação”, disse. “A expertise que o IG desenvolveu tem sido muito útil pra nós. Nós tendemos a crescer no próximo período, já que fizemos investimentos em infraestrutura. Queremos ver a infraestrutura sendo otimizada”, complementou.
Leo Soares, líder sênior em geociências e inovação energética da Repsol-Sinopec Brasil, falou sobre o grupo de P&D da empresa, o orçamento para os próximos anos e como a empresa enxerga a universidade atuando junto com a indústria. A empresa não mantém projeto com o IG, mas há perspectiva de que venha a ter no curto prazo. “A Repsol-Sinopec Brasil está se voltando pra atividades de reservatórios e monitoramento de reservatórios, então tem tudo a ver com o DNA do que é o IG na Unicamp”, disse. Modelagem geológica de reservatórios e análises de caracterização de rochas são as principais áreas de interesse.
Também participaram do evento: Felipe Dib, geólogo da PRIO que apresentou oportunidades de pesquisas na empresa e como a parceria indústria-academia pode beneficiar a ambas; Flávio Vianna, consultor de parcerias em inovação e tecnologia do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (Cenpes) da Petrobras, que falou sobre deep techs e startups em geociências para o setor de óleo e gás; e Dzeti Mohshim, professora da Universidade Teknologi PETRONAS (UTP), da Malásia, que apresentou experiências de sucesso na parceria academia-indústria.
A interação entre empresas e academia poderá contribuir para a construção de uma rede colaborativa entre a Unicamp e profissionais da indústria. “Essa interação com a indústria é extremamente importante para nós”, disse Emilson Pereira Leite, diretor do IG. “Nosso Instituto tem uma longa tradição de pesquisa relacionada ao setor de petróleo e gás e vários de nossos grupos de pesquisa já estiveram envolvidos em projetos P&D”, complementou. O docente apresentou as expertises da Unidade, a infraestrutura de laboratórios, parcerias e oportunidades de colaboração na área.
“O workshop superou nossas expectativas ao despertar o interesse de profissionais de diferentes empresas do setor de óleo e gás, além de professores, pesquisadores e estudantes, reunindo 134 participantes”, avaliou Alfredo Borges de Campos, organizador do evento. “Buscamos construir uma programação diversificada, que aproximasse as demandas e os desafios apresentados pela indústria das competências científicas e da infraestrutura de pesquisa existentes na universidade, incorporando também uma perspectiva internacional sobre a cooperação entre a indústria e a academia”, disse. “A ampla participação e a qualidade das discussões mostraram que existe um espaço muito promissor para ampliar essa interação, gerar novos projetos de P&D e fortalecer a inserção do IG e da Unicamp junto ao setor de óleo e gás”, complementou. Ao final do workshop, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a infraestrutura de laboratórios e pesquisas do IG.
Texto e fotos: Eliane F. Daré
Galeria de imagens
Mesa de abertura
Leo Soares, líder sênior em geociências e inovação energética da Repsol-Sinopec Brasil
Jonas Castro, gerente da área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Petronas
Felipe Dib, geólogo da PRIO , e Alfredo Borges de Campos, organizador do evento
Flávio Vianna, consultor de parcerias em inovação e tecnologia do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras, e Ruy Quadros, docente do DPCT
Dzeti Mohshim, professora da Universidade Teknologi PETRONAS (UTP), da Malásia




