Evento de meliponicultura reuniu 165 participantes com palestras, oficinas, feira e concurso de méis
O Instituto de Geociências (IG) da Unicamp foi palco, no dia 19 de setembro de 2026, do 1º Simpósio Internacional de Meliponicultura de Campinas e Região. O encontro reuniu criadores de abelhas nativas sem ferrão, produtores, pesquisadores e interessados na meliponicultura, em uma programação dedicada ao compartilhamento de conhecimentos e experiências sobre a atividade. O evento foi promovido pela Associação dos Criadores de Abelhas Nativas Paulista (ACANP), em parceria com o grupo de extensão Meliponaverso.
Realizado ao longo de todo o dia, o evento contou com palestras, oficinas práticas, feira de produtos e visitação, além do Concurso de Méis de Abelhas Nativas sem Ferrão – Etapa Campinas. A programação buscou aproximar os conhecimentos técnicos das experiências de quem atua diretamente na criação e no manejo de abelhas.
Palestras abordam diferentes aspectos da meliponicultora
As palestras foram distribuídas entre os períodos da manhã e da tarde e abordaram temas diversos relacionados à criação de abelhas nativas e à produção de mel. A programação teve início com uma palestra do professor José Mauro Souza, que abordou a meliponicultura, com destaque para as abelhas e seus produtos. Na sequência, o professor Pereira Júnior apresentou técnicas de multiplicação de mandaçaia, trazendo conhecimentos sobre a reprodução e a expansão das colônias.
Outro tema de destaque foi apresentado pelo professor Cristiano Menezes, que abordou o manejo integrado da polinização agrícola. A atividade chamou a atenção para a relação entre a criação de abelhas e o processo de polinização, importante para diferentes sistemas de produção agrícola.
No período da tarde, o professor Roberto Greco encerrou o ciclo de palestras com uma discussão sobre o momento atual da atividade e apresentou as atividades de extensão em andamento sobre abelhas nativas. Segundo o docente, “a meliponicultura é um setor em que o conhecimento científico e o dos produtores dialogam intensamente, impulsionados pela paixão mútua pelas abelhas. É um tema que movimenta a divulgação científica e também traz uma forte demanda por tecnologia social”.
A diversidade dos assuntos apresentados permitiu aos participantes conhecer diferentes dimensões da meliponicultura, desde técnicas de manejo e reprodução até sua relação com a agricultura.
Oficinas aproximam participantes das práticas de manejo
Além das palestras, o simpósio ofereceu cinco oficinas práticas, nas quais os participantes puderam acompanhar técnicas utilizadas na criação de diferentes espécies de abelhas nativas. Entre as atividades realizadas, estiveram a fabricação de loção atrativa e de abrigos provisórios para abelhas sem ferrão, além de práticas de manejo da abelha mandaçaia.
Durante a tarde, as oficinas apresentaram técnicas de manejo de abelhas jataí, mandaçaia, marmelada e mirins. As atividades contribuíram para aproximar o conteúdo apresentado nas palestras da realidade prática dos criadores.
Feira reúne produtos e experiências
A programação do simpósio também incluiu uma feira, que recebeu visitantes nos intervalos das atividades. O espaço reuniu produtos e iniciativas relacionados à meliponicultura, permitindo que os participantes conhecessem diferentes trabalhos de produtores, fotógrafos e artistas.
Também foram apresentados alguns dos primeiros resultados do grupo de extensão Meliponaverso, que inclui alunos de mais de nove cursos de graduação, alguns de pós-graduação, e professores e funcionários de 3 unidades.
Durante os intervalos, os participantes puderam circular pelo espaço da feira e visitar também o local onde estavam expostas as amostras do concurso de méis.
Concurso destaca diversidade dos méis brasileiros
No evento teve também o Concurso de Méis de Abelhas Nativas sem Ferrão – Etapa Campinas, realizado sob coordenação técnica do Instituto Brasileiro de Sommeliers de Mel (IBSMEL) e com a colaboração da Associação dos Criadores de Abelhas Nativas Paulista (ACANP).
Ao todo, foram apresentadas 31 amostras de méis provenientes de diferentes regiões do Brasil. A variedade das amostras também evidenciou a diversidade de espécies de abelhas nativas presentes no país.
Entre as espécies representadas estavam Tubi, Borá, Mandaçaia-da-terra, Uruçu Nordestina, Tubuna, Mandaguari, Mandaçaia Sth, Jataí, Mandaçaia MQA, Mandaguari Amarela, Mombucão, Bugia, Flavolineata e Jupá.
Para avaliar os produtos, os jurados utilizaram uma escala hedônica de nove pontos, considerando características como aroma, sabor e harmonia/evolução na boca. De acordo com a ata do concurso, o procedimento teve como objetivo proporcionar maior rigor e confiabilidade à avaliação das amostras.
Para o presidente da Acanp, Eliéser Balieiro Mantovani, vivenciar um evento na Unicamp era um sonho antigo da Associação. “Foi um enorme prazer estarmos juntos concretizando esse sonho. Agradeço, como Presidente, a todos que tornaram possível essa realização”, disse.
Diversidade regional aparece entre os vencedores
Após a avaliação das amostras, foi divulgada a classificação oficial do concurso. O primeiro lugar, com 314 pontos, ficou com a marca Airbnbee, do produtor Guilherme Aguirre. A amostra vencedora era um mel produzido pela abelha Jupurá (Melipona interrupta), proveniente de Iranduba, no Amazonas.
Em segundo lugar, com 303 pontos, ficou a marca Mel Vivo, do produtor Vinicius Valente, com mel de Uruçu Nordestina (Melipona scutellaris), produzido em Lauro de Freitas, na Bahia.
A terceira colocação, com 295 pontos, também ficou com a marca Airbnbee, desta vez com uma amostra de mel de Uruçu Amarela (Melipona flavolineata), proveniente de Belém, no Pará.
Outras sete amostras também foram classificadas, representando diferentes espécies e regiões produtoras. Entre elas estavam méis de Tubi, Mandaçaia da Terra, Mombucão, Tubuna in natura, Manduri e Tubuna maturado, com amostras provenientes principalmente dos estados de São Paulo e Bahia.
Além do troféu de campeão, o primeiro colocado recebeu uma análise melissopalinológica do lote de mel vencedor, que permite caracterizar sua origem botânica e acrescentar informações técnico-científicas ao produto.
Flávia Cristina de Freitas, docente do Instituto de Biologia, corroborou o evento. “Foi muito bonito ver pessoas de diferentes idades e de tantos lugares, reunidas pelo interesse nas abelhas nativas. Acho muito importante que a universidade seja esse espaço aberto e ajude a promover o encontro entre diferentes experiências e conhecimentos”, disse.
Texto: Washington Felipe Teodoro da Silva
Imagens: Sidney Cardoso
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