Publicado originalmente no JU online.
Iniciativa consolidará a Biblioteca como núcleo multiusuário e digital de referência em preservação e difusão de patrimônio científico e paleontológico
O Instituto de Geociências da Unicamp (IG) foi contemplado na chamada de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa em Acervos Museológicos, Bibliográficos e Arquivísticos do Programa de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa do Estado de São Paulo (PAIP) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A Unidade foi beneficiada com cerca de R$ 2,8 milhões, que serão destinados à modernização da infraestrutura de preservação, digitalização e difusão de seus acervos científicos e históricos, com foco na reorganização e na expansão do espaço da Biblioteca “Conrado Paschoale” ao longo de 48 meses.
Resultado de um trabalho coletivo realizado pela Comissão da Biblioteca, pela direção do Instituto, pelas chefias dos três Departamentos – Geografia, Geologia e Recursos Naturais e Política Científica e Tecnológica – e por setores técnicos-administrativos, o projeto materializa uma aspiração antiga da unidade: preservar melhor seu patrimônio científico e colocá-lo de forma mais ampla e inclusiva a serviço da pesquisa, da formação e da sociedade.
A iniciativa será coordenada pela Comissão da Biblioteca, liderada pelo docente David Jozef Cornelius Debruyne, sob supervisão da direção do Instituto. O projeto contará com a colaboração de Frésia Soledad Ricardi Torres Branco e Carolina Zabini, docentes do Departamento de Geologia e Recursos Naturais (DGRN) e curadoras do acervo paleontológico; de Aleix Altimiras Martin, docente do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT); de Regina Célia de Oliveira, docente do Departamento de Geografia (DGEO); e das bibliotecárias Fabiana Benine e Marta dos Santos, responsáveis pela coordenação técnica das atividades biblioteconômicas e de organização dos acervos. Dailto Silva, supervisor de laboratórios do Instituto, e Rafael Barros de Porto, técnico do Laboratório de Paleohidrogeologia, darão apoio à implementação e à gestão de um tomógrafo computadorizado a ser adquirido. O projeto contará também com bolsistas de Treinamento Técnico para suporte contínuo, que serão selecionados ao longo da execução.
Segundo Debruyne, “este é um projeto bastante complexo, porque envolve muitas pessoas, diferentes acervos e demandas dentro do Instituto. O maior desafio nesta fase de elaboração foi conseguir alinhar esses interesses e transformar tudo em uma proposta integrada, com benefícios coletivos e de longo prazo”. Para Emilson Pereira Leite, diretor da Unidade, “o principal desafio será implantar a infraestrutura de forma integrada e sustentável, garantindo seu uso efetivamente compartilhado e articulando adequações físicas, preservação dos acervos e operação de equipamentos de alta tecnologia. Com isso, o projeto fortalecerá significativamente a pesquisa, o ensino e a extensão no IG, além de ampliar o acesso público a acervos científicos e históricos de grande valor”.
Projeto contemplado
Como a chamada era voltada à valorização de acervos científicos, a proposta contemplada prevê a criação de uma nova área climatizada na Biblioteca “Conrado Paschoale” para guarda e conservação do patrimônio paleontológico da Unidade, composto por mais de 7.500 amostras científicas e didáticas, com instalação de arquivos deslizantes metálicos. Com a aquisição do tomógrafo computadorizado 3D, será possível fazer análises não destrutivas e documentação digital de fósseis e rochas. Carolina Moreto, chefe do DGRN, aponta que o projeto deve “ampliar as condições de preservação, caracterização e documentação digital de seus acervos geocientíficos”. A docente lembra que o equipamento deve agregar novas possibilidades de pesquisa e ampliar o acesso da comunidade científica a esses materiais.
Tânia Seneme Canto, chefe do DGEO, destaca que serão também adquiridos equipamentos de acessibilidade e ensino, como impressoras 3D e Braille, que gerarão recursos didáticos táteis para pessoas com deficiência visual. Além disso, o projeto prevê a recuperação e a digitalização do acervo cartográfico da Biblioteca – que inclui 33 mapas científicos e históricos dos séculos XIX e XX –, bem como a digitalização e a integração do acervo do Centro de Documentação em Política Científica e Tecnológica (CDPCT), composto por cerca de 18 mil documentos que retratam a história da PCT no Brasil, em grande parte constituído de literatura cinza (anais, artigos não publicados, diretórios, folhetos, notas técnicas, patentes, pré-prints, relatórios de pesquisa etc.). De acordo com o chefe do DPCT, Marko Monteiro, “com esse projeto, nossa intenção é organizar melhor o acervo e torná-lo ainda mais disponível para pesquisas”.
Todo o acervo digitalizado e os modelos tridimensionais resultantes serão disponibilizados de forma aberta e inclusiva em portais institucionais integrados ao Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU). Desta forma, a Biblioteca “Conrado Paschoale” será consolidada como núcleo multiusuário e digital de referência em preservação e difusão do patrimônio científico e paleontológico da Unicamp. Debruyne destaca a atuação da equipe da Biblioteca especialmente na conservação de acervos, que rendeu o Prêmio Paepe Local 2025. A contemplação do projeto é vista pelo docente como uma “valorização do excelente trabalho feito na biblioteca”.
A chamada que selecionou a iniciativa do IG incluiu outras 37 propostas em todo o estado de São Paulo, totalizando oito contemplados na Unicamp. Uma outra chamada, voltada a Coleções Biológicas, selecionou mais 12 propostas no estado, sendo uma da Unicamp. O resultado das duas está disponível no site da Fapesp.
Autoria: Eliane Fonseca Daré (Comunicação Instituto de Geociências)
Fotografia: Divulgação Instituto de Geociências
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A proposta prevê a criação de uma nova área climatizada na Biblioteca “Conrado Paschoale” para guarda e conservação do patrimônio paleontológico
O docente do IG David Jozef Cornelius Debruyne: 7.500 amostras científicas e didáticas




