O Instituto de Geociências (IG) recebeu entre os dias 24 e 30 de maio cerca de 530 estudantes de graduação e de pós-graduação, docentes, pesquisadores e profissionais de empresas na área de geociências de várias partes do Brasil, em especial dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Eles vieram a Campinas para participar do XIX Simpósio Nacional de Estudos Tectônicos (SNET) e do 18º Simpósio de Geologia do Sudeste (Geosudeste). Wagner da Silva Amaral, docente do Departamento de Geologia e Recursos Naturais (DGRN) do IG/Unicamp foi presidente do SNET, enquanto Iata Anderson de Souza, pesquisador da Universidade Estadual Paulista - Unesp, foi o presidente do Geosudeste. Norberto Morales, da Unesp, e Alvaro Penteado Crósta, docente do DGRN do IG/Unicamp, foram os respectivos presidentes de honra homenageados.
Wagner Amaral destacou o aumento do número de participantes, que vieram de diversas regiões dopaís, assim como a infraestrutura e os patrocinadores, como Petrobras e CNPq. “A diversidade das palestras, a discussão dos temas mais relevantes na área de geociências, como a questão de mudanças climáticas e da transição energética, são temas que estão sendo explorados com mais dinamismo e destaque nessas edições”, disse o docente. “Os eventos sempre refletem o momento que as geociências estão vivendo, tanto no Brasil quanto no contexto global”, complementa.
Iata Anderson de Souza destacou a vinda de três palestrantes internacionais: Emmaline González, da National Autonomous University of Mexico (UNAM), que falou sobre o geoparque do México; Luca Malasteta, da GFZ Helmholtz Centre for Geosciences, da Alemanha, que discorreu sobre o terremoto de Tóquio e a alteração do relevo; e Daniel Pfeifer, da University of Tubingen, da Alemanha, que falou sobre paisagens atuais do relevo.
Amaral aponta que os eventos visaram nesta edição contemplar um maior número de pessoas. “Nesta edição contamos com a geodiversidade, com professores do ensino médio, pessoas que trabalham com temas ligados à extensão universitária e ao ensino”, disse. “Tivemos sessões tanto para a geoeducação e a geoconservação como para a extensão”, complementa.
Alvaro Crósta, homenageado no evento, expressou em sua fala a importância da formação de novos geólogos(as) parta o futuro da profissão. "Devemos garantir que as novas gerações de profissionais tenham acesso a uma educação de qualidade, que combine teoria e prática, mas que também estimule o pensamento crítico e ético, e que fomente um espírito de curiosidade e inovação", disse. Leia a íntegra da fala de Crósta, publicada no site do Clube da Engenharia.
A estudante do Instituto de Geociências da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Karen Nunes, foi uma das participantes do evento. Em seu trabalho de iniciação científica, a estudante caracterizou radiometricamente as intrusões alcalinas do alinhamento do Poço de Caldas e Cabo Frio, no sudeste do Brasil, através de mapas temáticos. “Para essa apresentação, focamos em três maciços desse alinhamento, que foi o de Passa Quatro, no sul de Minas Gerais, e o de Mendanha e o Morro São João, no Rio de Janeiro. Nosso interesse foi o de comparar a concentração de potássio, urânio e tório, que são elementos radioativos importantíssimos na geração do calor radiogênico, que é uma das fontes mais importantes de calor interno da crosta”, explica. Essa foi sua primeira participação no evento.
Simpósios
Os dois Simpósios ocorreram pela segunda vez em Campinas. O SNET já havia ocorrido em 2011 e o Geosudeste em 2019. Nesse retorno presencial pós-pandemia, o SNET buscou reunir pessoas que trabalham com temas relacionados a geotectônica e geologia estrutural, metamorfismo recursos naturais e energéticos, além de diversas outras áreas. “Hoje a gente tem a questão da discussão da transição energética. Então, esse fórum, traz pessoas, tanto de empresas, das grandes petroleiras, lideradas pela Petrobras, quanto pessoas pensantes da academia. É um momento em que temos a oportunidade de discutir presencialmente temas relevantes. Esse é um momento de discutir temas emergentes, como mudanças climáticas, energias limpas e fontes renováveis além da inclusão universitária”, disse o docente do IG. “Isso reflete no ensino, na formação de recursos humanos, na qualidade dos trabalhos, nas publicações e, principalmente, na divulgação das geociências. E isso é importante de ser feito nessas reuniões cinetíficas”, complementa.
Amaral lembra o suporte concedido pela Unicamp para que as sessões ocorressem no Centro de Convenções e pelo IG, que ofereceu estrutura e suporte desde o início da organização dos eventos. Da mesma forma, a geolocalização da cidade de Campinas e sua estrutura também favorecem esse tipo de evento.
Fórum dos Cursos de Geologia do Brasil
Durante o evento, ocorreu a reunião do Fórum dos Cursos de Geologia do Brasil, que buscou promover o diálogo entre os coordenadores de cursos de Geologia do Brasil, possibilitando a troca de experiências, a discussão de desafios e a construção de estratégias para o fortalecimento da formação geológica no Brasil. Segundo Alexis Nummer, docente da UFRRJ que secretariou o Fórum, o objetivo foi “reunir todos os coordenadores de curso, de todos os cursos do Brasil, federais, estaduais, para resolver alguns problemas que são inerentes a todos os cursos”. Nummer destacou as atividades de campo e as diretrizes curriculares para os cursos de Geologia e Engenharia Geológica. Ele também lembrou que o primeiro fórum ocorreu em 2002, com professor Celso Dal Ré Carneiro, do IG/Unicamp, e Fernando Pina, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), como fundadores.
Texto e fotos: Eliane F. Daré.
Galeria de imagens
Wagner da Silva Amaral, docente do DGRN e presidente do SNET
Iata Anderson de Souza, pesquisador da Unesp e presidente do Geosudeste
Karen Nunes, estudante da UFRRJ
Alexis Nummer, da UFRRJ




